domingo, 21 de abril de 2013

Player 1 e Player 2



Quem teve ou tem um vídeo game provavelmente já viveu seus dias de gladiador. A luta contra irmão, primo, amigo e vizinho pra ser o Player 1 era/é intensa. Os motivos consistem, por exemplo, em possíveis vantagens no jogo ou simplesmente se livrar do “controle ruim”. Aquele com mau contato, com a bateria viciada, meio estragado, que chuta quando você tenta o lançamento, que atira quando você só quer trocar de arma.

E quando a briga é pra ser o Player 1 da relação ou das atitudes de alguém? Querer o controle das situações e das pessoas é quase como ficar com o controle estragado no game, só que as conseqüências se refletem em outro jogo.




Pra começo de conversa é muito importante deixar clara a diferença (óbvia, mas nem tanto) entre possuir e controlar. O primeiro deveria ser aplicado APENAS a objetos, pois possuir, legalmente falando, é direito adquirido através de aquisição, doação, herança. E como eu e você bem sabemos não se compra, ganha ou herda alguém. Sentir-se único e exclusivo dono de uma pessoa é a fonte do ciúme (quase sempre desmedido) que é parasita e leva a morte qualquer relacionamento saudável e bla bla bla bla. Todo mundo já sabe.

O controle é algo muito mais complexo, é frio, calculista e imaginativo ao mesmo tempo. Se disfarça como uma prática racional “só estou resolvendo isso que está acontecendo com a gente”, sobrenatural de premonição “eu já sabia isso ia acontecer com a gente”, beirando o paranóico “você sempre conspirou para que isso acontecesse com a gente”. Quando envolve só sujeito, o tipo de controle mais aparente, se limita (rererere) em saber que horas você vai sair? Com quem? Aquele amigo do seu ex vai junto? Eu posso ir? Você precisa mesmo ir? Sim? Volta que horas? Favor me ligar quando voltar pra casa. Por sorte, quase ninguém mais admite esse tipo de situação. Já somos agraciados ao sair do controle materno e paterno, e arranjar uma mãe ou um pai depois disso é absurdo. Eu disse -quase ninguém mais admite- porque existem pessoas que nasceram pra serem controladas, elas tem necessidade disso, o famoso pau mandado, submisso, corno manso e qualquer outro atributo que você ache conveniente.



O problema não implica apenas em controlar a namorada. Em um breve aprofundamento psicológico sobre o tema: ter controle sobre as coisas significa ter a vida sob controle, mexe com a sua existência – eu saio daqui, passo por aqui e chego até lá – você investe energia para que o mundo se mova nessa rota pré-definida. Pessoas depressivas alegam “nada que eu faço faz sentido logo minha vida também não faz, saí dos trilhos, perdi o controle!”, e já sabemos onde muitos casos desses acabam.





Trocando por miúdos:
  1. Nosso primeiro encontro acontece hoje;
  2. Amanhã ela deve me mandar alguma coisa falando o quanto gostou;
  3. Se ela fizer o que consta em “item 2” já posso dizer que tenho interesse em vê-la de novo;
  4. Se ela não fizer o que consta em “item 2” suspender “item 3” e tentar outra abordagem para que até o próximo final de semana tenhamos saído novamente.
É evidente que você não para pra fazer isso conscientemente – se faz vá logo procurar um médico seu DOENTE – mas quando reduzimos em situações do cotidiano percebemos a criação de pequenas rotinas de controle: “não me mandou o SMS na hora de costume”, “senti que o oi hoje foi diferente”, “ela me deu um sorriso estranho antes de ir embora, alguma coisa não ta certa”, “ela nunca demora tanto assim pra me responder, “ela nunca esqueceu de me ligar quando chegava em casa”. As coisas começam a sair do seu controle.

E como não sairiam? Se o personagem principal na sua carta de controle chama-se mulher?! Naturalmente decididas a caminhar sempre para o lado contrário de qualquer rota estabelecida quando o assunto é “apaixonar-se e amar”. Sempre tão empolgadas com as surpresas que o próximo dia ou o próximo mês reservam – que maio traga todos os sonhos que abril me levou – te diz algo?

Quando as coisas saem do controle o desespero é o primeiro a dar as caras, quase como perder o freio na descida da serra. O desespero leva a atitudes pouco pensadas, quase instintivas de defesa, que levam até o chamado fundo do poço, onde tudo o que você tenta já é insuficiente. Perdeu. Fique tranqüilo que depois disso ainda vem o arrependimento sem falar é claro na frustração. Não queremos isso não é? Né.

Deixar de querer as rédeas na mão é impossível, como já dissemos isso está ligado com o que você veio fazer na Terra. Mas é possível direcionar essa energia de controle, sua avó não estava totalmente errada quando disse que cabeça vazia é oficina do capiroto. Procure um curso, um novo esporte, medite, se ocupe! E acredite no clichê de que as coisas verdadeiras acontecem naturalmente (por mais maldito ele é um fato) você não vai construir nada duradouro forçando situações ou ocasiões, muito menos querendo que elas saiam no seu tempo e ao seu modo.

Boas mulheres desejam um caminho sólido sim, mas que não seja apresentado de forma cartesiana ou por extenso, onde do inicio da ponte já pode se enxergar o final. Elas preferem que esse livro seja apresentado página por página, e que entre uma página ou outra apareça uma ilustração que mostre como é a estrada – surpreenda -.





O jogo já começou.





Um comentário:

  1. muito bem escrito! Parabéns, aguardo próximos!

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